Edição nº 1 - novembro/dezembro de 2005
Judiciário & Meio Ambiente
 
A importância crescente do meio ambiente no Judiciário paulista
 

Por Simone Silva Jardim

Cada vez mais o meio ambiente conquista espaços no Judiciário brasileiro. A importância da matéria ganhou tal envergadura que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), de forma pioneira no país, aprovou por meio da Resolução 240 de 5 de outubro último, a criação da Câmara Especial do Meio Ambiente. Cinco desembargadores com reconhecido domínio da matéria integrarão a nova ins-tância (os nomes ainda não tinham sido definidos até o fechamento desta matéria). Sua missão será julgar os recursos e medidas cautelares de natureza civil que envolvem interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos diretamente ligados ao meio ambiente.

       
   

A matéria ganhou tal envergadura que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo acaba de criar a Câmara Especial do Meio Ambiente.

 
       

“Isso demonstra a grande preocupação e interesse na matéria por parte do Judiciário brasileiro”, afirma o Desembargador Gilberto Passos de Freitas, do TJ-SP, que ao lado de outros magistrados tem levado para dentro dos tribunais a questão ambiental, sensibilizando seus pares sobre sua importância e especificidades.

“Não podemos perder de vista que a criação, pelo TJ-SP, da Câmara Especial do Meio Ambiente, é um marco na história do Judiciário brasileiro e demonstra a relevância que o meio ambiente ecologicamente equilibrado tem para o desenvolvimento socioeconômico do país. Essa conquista foi possível graças ao fabuloso empenho do Desembargador José Geraldo Jacobina Rabello e de tantos outros colegas que reconhecem a grande importância do direito ambiental no mundo contemporâneo. Esperamos que, em breve, tribunais de outros estados sigam o exemplo”, destaca Passos de Freitas.

A Câmara Especial do Meio Ambiente do TJ-SP deve entrar em funcionamento ainda este ano e a expectativa, especialmente por parte de advogados e promotores de justiça, é que as decisões sejam proferidas em um espaço menor de tempo. “A Câmara também deve firmar jurisprudência sobre várias situações, tornando assim mais ágil o trabalho de juízes de primeiro grau”, informa o desembargador.

  Divulgação
 
  Desembargador Passos de Freitas: iniciativa é um marco na história do Judiciário brasileiro

Preocupação crescente - Há que se reconhecer, segundo o Desembargador Passos de Freitas, que o direito ambiental é uma matéria nova, complexa e exige conhecimento especializado dos ma-gistrados. “No Brasil, a preocupação do Poder Judiciário com a questão ambiental é crescente. Tanto que, em vários estados, os juizes têm participado periodicamente de cursos sobre esse ramo fundamental do Direito. Os magistrados estão procurando se aperfeiçoar e conhecer bem o assunto porque é uma matéria totalmente diferente. Hoje a maioria das faculdades de Direito do país já oferecem a disciplina de Direito Ambiental e os concursos para juizes apresentam questões nessa área. Está sendo criada uma nova mentalidade em nosso meio”, comenta.

Se por um lado a conscientização sobre a matéria é importante, por outro é preciso que condutas de efeito prático permeiem a realidade. Além da polícia e do Ministério Público, o desembargador do TJ-SP acredita que todos os segmentos da sociedade podem – e devem - atuar como fiscais do meio ambiente.

“Organizações da sociedade civil e uma parte crescente da população têm trabalhado ativamente em prol da Natureza. E também as empresas. Observa-se que o setor produtivo está bastante preocupado em não provocar o dano ambiental, que, inclusive, prejudica muito sua imagem. Então temos exemplos de empresas fazendo um trabalho relevante na área ambiental, procurando evitar a degradação a todo custo. Ressalte-se que a Lei de Crimes Ambientais, em vigor desde fevereiro de 1998, responsabiliza criminalmente a pessoa jurídica. É mais um motivo para que as companhias atuem com eficácia no que diz respeito ao impacto de sua atividade sobre o meio ambiente”, ressalta o desembargador.

Sobre um tema incômodo, as críticas que o Judiciário recebe especialmente da mídia pela morosidade e por certas decisões que toma, Passos de Freitas analisa: “Falar em morosidade no Judiciário exige, antes de mais nada, lembrar da série de alterações que têm de ser feitas sob o aspecto processual. Tanto o processo civil quanto o processo penal brasileiros prevêem uma série de recursos. En-tão é uma tramitação demorada, que pode se prolongar por anos. Há necessidade de uma alteração nesses códigos”, conclui o magistrado.

 
 
   
  A Revista Ambiente Legal é uma publicação bimestral, de circulação nacional e distribuição dirigida
e por assinatura editada pela .
Todos os Direitos Reservados.
Redação: Av. 9 de Julho, 3133 - Jd. Paulista - Tel.: (11) 3384-1233 - Fax: (11) 3384-1220
São Paulo - SP - CEP 01407-000
Permitido a reprodução desde que seja informada a fonte